Uma cidade qualquer


É numa feia cidade de um belo povo que tudo aconteceu.
O feio viajante chegou na feia cidade e avistou a bela moça. Olhou e pensou:
-Bela.
A bela moça notou a presença do viajante e pensou:
-Feio.
O feio viajante se dirigiu à moça e na aproximação dos corpos entreolharam-se os olhos feios e belos.
Os feios disseram:
-Que belos.
Os belos disseram:
-Que feios.
O sorriso de um era belo e do outro feio.
O feio viajante começou a conversar com a bela moça e percebeu que de belo só o corpo. Enquanto a moça reconheceu no viajante o mais feio belo homem que conhecera em seus anos de vida.
A bela moça se apaixonou pelo feio belo viajante. Mas o feio viajante recusou a bela feia.
O corpo feio do viajante desejou o belo corpo da moça. O belo interior do homem sentiu repulsos do feio interior da moça.
O belo corpo da moça ignorou o feio corpo do homem. Já o feio interior da moça se curvou aos belos sentimentos do homem.
Os dois eram feios e belos, mas nem sempre os opostos se atraem.
Assim, o viajante deixou a feia cidade das mais belas feias moças que conheceu em suas andanças pelo mundo como caixeiro-viajante.
(F.Fachini)
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