O Moleque Juliano


Era uma vez um moleque chamado Juliano. O nome Juliano por acaso, pois poderia chamar-se Anderson ou Franke, isso é o de menos. Bom! Ele gostava muito de ler, mas era de família pobre, e conseguia alguns livros com amigos da escola e outros com sua professora. Lia também jornal na banca do Zé, seu amigão. Porém, um inconveniente, acreditava fielmente em tudo o que lia, inclusive contos de fada. Então, certo dia, disseram-lhe que nem tudo o que lia e ouvia era verdade. Foi o fim. Juliano sentiu-se abalado. E aí, a desconfiança das histórias que começam com “Era uma vez”.

Ao descobrir esta verdade assustadora a seus olhos, Juliano já estava crescidinho. Entrara na puberdade, e garotas já lhe tiravam a atenção. Apaixonou-se por Ana, garota que se sentava na terceira classe da primeira fila à sua direita. Mas ela era “diferente”, e não depositou nele nem mesmo sentimentos de amizade. Decepcionou-se e lágrimas ardentes feriam-lhe o rosto e a alma. Cicatrizes doloridas. A dúvida em relação ao amor chegou ao peito de Juliano.

Fugindo da desilusão amorosa, decidiu, então, entrar na política. Leu e releu teorias políticas, acompanhou eleições e investiu em seu belo palavreado, porém, interesse nenhum despertou em seus amigos. Investiu no “Juliano de gravata”, assim, tornou-se conhecido e, venceu as eleições. No entanto, não cumpriu as promessas. Por fim, voltou a dizer o velho chavão que há tempos aprendera: “Todos os políticos são iguais”. Mas, agora, incluía-se nesse grupo. Juliano decepcionou-se com a política.

E a religião? Que tal? Leu salmos e cânticos, evangelhos e outros livros da sagrada Bíblia. Analisou e questionou-se. Buscou ajuda com padre e pastores, mas restaram-lhe dúvidas na cabeça acerca da religião e da fé. E a decepção por não encontrar respostas abalou sua fé.

Depois de tantas decepções, Juliano decidiu confiar seus segredos aos amigos. Outra decepção! Agora, com os amigos, enfim, com a humanidade. Eles não eram seguros como esperava. Duvidou que continuar ajudando e consolando o próximo o ajudaria.

No final da vida, ainda estava triste e em busca de algo bom para si. Juliano sentia feridas se cicatrizarem, não eram cicatrizes no braço ou na perna, eram cicatrizes na alma. Cicatrizes das tristezas vividas, que agora, retratavam-se em seus olhos. Porém, ainda restava-lhe esperança e decidiu confiar em si mesmo, ser exemplar! Mas errou! Errou várias vezes. E assim, desacreditou e duvidou de si mesmo.

E você leitor, desconfia de contos que comecem com “Era uma vez”? Então, não pode esperar um final “E todos viveram felizes para sempre”, nesta história.


autor: Fabiano Fachini

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