Uma piada na contramão: cachorro quente pra sogra

LEIA ESTAS TRÊS FRASES EM VERMELHO IMAGINANDO O SOM DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER: Local: Antiga barraca de cachorro quente da prefeitura

Envolvidos: um casal santo e o piadista – vendedor de hot dogs

Vitima: a sogra


Uma mulher mais ou menos santa. Aparenta três décadas de vida. Veste um escuro vestido longo e uma branca camisa de gola, que esconde um crucifixo. Na mão direita, apertada contra o peito, uma bíblia de capa azul com zíper. Apenas pude ler “Novo Testamento”.


Na mão esquerda, com uma aliança dourada, a mulher segura firme a mão do marido, um negro fino, bem fino, mas elegante. Usa sapatos pretos, bem engraxados e calça escura social. Cinta preta e de fivela prata sem marca alguma. Ele vestia ainda uma camisa social manga longa, abotoada nos punhos e fechada na gola por um nó simples da sua gravata azul. Dele, o que chama a atenção não é a pouca idade, mas o ralissimo bigode, o qual com a mão esquerda esfrega diversas vezes.

– Vim de Piracicaba para provar seu cachorro quente!
– É mesmo? Responde com ar de brincalhão o dono da barraca.
– Meu amigo falou: o cachorro quente da prefeitura é o melhor.
– Não sei não se é não! Responde entre sorrisos.

Interessante como a localização da barraca deu nome ao cachorro quente. O hot dog é vendido em uma das esquinas da prefeitura. Reúne, diariamente, centenas de pessoas loucas por um pão com salsicha, molho, mostarda, maionese, catchup, milho, ervilha, purê de batata…

O diálogo aconteceu após um longo tempo de espera na fila. À frente do santo casal, 15 pessoas. Atrás, outras muitas.

– Me faz dois cachorros quentes.
– Normal?
– Isso mesmo. Aliás, aproveita e faz mais um pra eu levar pra sogra.
– O dela é normal?

O tom foi provocativo… E certeiro como pedrada em balão de vespas. Um minuto de silencio do casal e umas boas gargalhadas do vendedor de dog’s. Já a mulher, reprovou a brincadeira. Na expressão da face, parecia dizer:

– Não quero mais. Fique pra você esse pão com salsicha!
E, se posso contar, parecia que sairia batendo nele com a bíblia.

Palavrão? Não, ela era santa demais para isso. Porém, quase escapuliu um ou dois entre os lábios presos aos dentes.

Já o marido, cabisbaixo, sabe que o silencio é a melhor defesa.

– São seis reais. Cobra o piadista de esquina.
– Aqui está. Responde o esposo amedrontado.

Enquanto o homem paga, a mulher desenlaça os dedos do marido e vai deixando sozinha o lugar. Uma leve, ou melhor, uma forte expressão de raiva a acompanha.

***
Hoje a barraca de cachorro quente não está mais na prefeitura de Campinas, mas há uma quadra dali: esquina da Av. Anchieta com a Irmã Serafina. Clientes: sempre aumentando!

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