Escada da Vida (cap.3)

A primeira entrevista e o primeiro emprego

Nas últimas edições o jovem Juliano lutou pela concretização do sonho. A jornada não acabou, mas novas etapas foram vencidas. Agora, já havia entregado currículos e começado um curso profissionalizante. No último capítulo, ele estava frente a frente com sua primeira entrevista de emprego. Ansioso, busca vencer os medos e conseguir o primeiro emprego em informática. (confira cap.1 e cap.2)

Juliano estava diante da primeira entrevista de emprego. Ao chegar ao prédio da empresa, subiu calmamente as escadas e apresentou-se para a entrevista.
-Fique a vontade. Junte-se aos outros candidatos. – Indicou a recepcionista.
– Mais candidatos? – Pensava alto. Como poderia ter mais pessoas no mesmo dia. Alguns mais jovens outros mais velhos, observava atento, enquanto sentava-se ao lado de outro candidato, em um sofá confortável.
O concorrente era mais bem preparado. Em minutos de conversa, Juliano percebeu que o seu colega tinha formação superior, cursos e experiência em outras empresas. Nervosismo. As mãos de Juliano começaram a suar frio. Os outros foram chamados, ele havia ficado por último.
Procurou acalmar-se. Bebeu água e lembrou-se de leituras que havia feito. “Na entrevista, seja natural. Mantenha a calma”. A frase soava leve na sua mente. Mais tranquilo, conversou com a recepcionista. Foi simpático e fez uma nova amizade.
– Próximo, por favor.
– Sou eu, Juliano. – Respondeu com voz tranquila ao chamado que veio da sala de entrevista.
– Sente-se, por favor.
– Obrigado.
– Você é o Juliano, é isso?
E assim começou a tão temida entrevista de emprego. Foram alguns minutos de questionamentos e respostas. No fim, um bate papo e um elogio para o candidato.
– Você sabe realmente o que quer. Parabéns.
Sorridente, Juliano deixou a sala de entrevistas, despediu-se da recepcionista e foi para casa. Era tarde da noite, e após uma conversa com os pais, a expectativa era poder conversar com Chico, seu amigo confidente.
– Aí vem o jovem da informática. – Brincava Chico ao ver Juliano se aproximar.
Uma manhã inteira de conversa. Juliano repetia de cor e salteado como foi a entrevista. Chegou à conclusão, junto com Chico, de que tinha boas chances.
A expectativa de ter o primeiro emprego tomava conta de Juliano. Enquanto trabalhava na montagem de computadores na sala de casa, o pensamento estava longe.
– Eu atendo! – Gritou o jovem ao ouvir o telefone tocar.
– Queria falar com Juliano, sobre a entrevista que ele participou em nossa empresa.
– Sim, sou eu.
Juliano colocou o telefone no gancho. Aos passos lentos foi para o sofá. Baixou a cabeça, e chorou. A mãe entrou na sala e viu aos prantos o filho no sofá.
– O que foi Ju? – Falou a mãe no ouvido do filho, enquanto erguia com a mão o rosto do jovem.
– Te chamaram meu filho? – Perguntava a mãe, já de olhos lacrimejados.
– Não, mãe. Eles não me chamaram.
Ao telefone, Juliano teve a primeira experiência de ouvir um “não” ao emprego que ele contava como certo, pois havia ido bem à entrevista e ainda recebera um elogio. Mas a falta de experiência e cursos havia tirado a oportunidade do jovem, que agora parte para uma nova etapa da vida: a busca pela profissionalização.

— confira cap. 1 e cap.2

por fABIANO fACHINI

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Escada da Vida (Cap.2.)

Um novo horizonte no caminho dos sonhos

No último capítulo, o Jovem Juliano, rapaz simples e humilde, decidiu que apostaria tudo por um emprego em informática. Com auxilio do amigo Chico, dono de uma banca de revista, fez um currículo. A ansiedade tomou conta do jovem, pois nunca havia distribuído currículo e nem buscado emprego em grandes empresas. (se quiser você pode acessar o Cap.1, clique aqui)
– Mãos à obra. – pensou Juliano ao sair de casa, logo pela manhã. Mal acabara o café e já esta à porta de casa a despedir-se dos pais. O dia traria novidades para o jovem que pela primeira vez entregaria currículo com o objetivo de encontrar o emprego dos sonhos.
– Bom dia Juliano. Chegou cedo. – exclamou sorridente o amigo Chico enquanto entregava nas mãos de Juliano o envelope com as cópias do currículo.
– Como entrego um currículo, Chico? Mal dormi pensando nisso.
– Olha, seja você mesmo. Converse. Mostre-se interessado e dedicado. Fiz até uma sugestão de empresas para você entregar. Mas você vai ter que, ainda hoje, buscar um curso de especialização em montagem e manutenção de computadores e redes ou operação de computador. É necessário saber qual caminho você quer seguir.
– Chico. Eu gostaria de trabalhar com montagem de computadores, criação de sistemas. Eu sei fazer tudo isso. Aprendi com a leitura de revistas. Mas não tive prática. Espero que me aceitem nas empresas.
– Juliano. Vou te ajudar a bancar um curso básico. E até chegar seu primeiro convite de emprego, você vai trabalhar concertando pequenos problemas de computadores de pessoas que eu conheço.
– Muito obrigado.
– Agora corra. Está na hora de entregar currículo.
Aos passos lentos, Juliano seguiu olhando a lista de empresas que seu amigo havia indicado. Na primeira, entrou tímido. Tremia enquanto deixava na mão da secretária uma cópia do currículo. As palavras sumiram. Mal conseguiu dizer “tchau”.
Decepcionado com a timidez pensou em desistir.
– Quem iria chamar para a entrevista alguém que nem fala? – pensava desanimado Juliano, quando uma lágrima esquentou seu rosto. Forte, o jovem secou a lágrima. Ergueu o rosto. Olhou para frente e entrou em muitas outras empresas. A cada entrega de currículo, um novo Juliano surgia. Despojado. Comunicativo.
O envelope ficou leve. Acabaram os currículos, mas chegaram as dúvidas.
– Vão me chamar? Se chamarem, o que faço?
Fim de tarde e Juliano chega em casa. Aos pais, conta entusiasmado as mais diferentes experiências que teve ao entregar currículo. Secretárias educadas, outras não. Chefes que pegaram em mãos o currículo. E tantas outras mais ou menos engraçadas.
Passaram-se alguns dias e Juliano não havia sido chamado. Estava decepcionado. Mas seguiu o conselho de Chico, e começara o curso de operação de computador. Em casa, enquanto consertava um computador, o telefone tocou.
– Alô. Queria falar com Juliano.
Enfim, a primeira entrevista de emprego. Ansioso, Juliano correu contar para os pais a peara o amigo Chico. A primeira entrevista de emprego estava marcada para o final da tarde daquele mesmo dia, com o gerente da empresa.
Bem vestido e a passos longos Juliano saiu de casa em direção da empresa. Na esquina de onde faria sua primeira entrevista, os pensamentos começaram a embaralhar as frases prontas que o jovem havia preparado pelo caminho. Estava adiantado. Ansioso. Não sabia o que falar. A timidez da entrega do primeiro currículo lhe vinha à mente. Não queria que acontecesse o mesmo agora na entrevista. O sinal fechou. No embalo das pessoas, Juliano atravessou a rua em direção a empresa.
– O que me aguarda? – sussurrava baixinho Juliano, subindo degrau a degrau da empresa. Seria a primeira entrevista de emprego.
– Olá. Eu vim para a entrevista. – disse o jovem ao olhar para a secretária.

Continua na próxima edição.

(crônica publicada na revista Empregos e Empregados, Ano1/n3/out.nov 2008.)
fABIANO fACHINI

Escada da vida (Cap.1)

Juliano, em busca de seu sonho
Os olhos brilharam diante da vitrine, mas logo ficaram embaçados. Arrastando os chinelos, Juliano seguiu para casa a passos lentos. Pelo caminho, os pensamentos tropeçavam uns nos outros, esbarravam-se pelas esquinas da dúvida.
– O que faço da vida? Já sei, preciso arrumar um emprego para trabalhar com computadores.
Pensava alto o jovem guri enquanto abria o portão de casa, preso de um lado a um barrote de madeira e, do outro, nos tijolos lascados do muro do vizinho. As condições da casa e da família não possibilitavam a compra do computador que estava à mostra na vitrine que Juliano olhava todas as manhãs, enquanto ia a caminho do farol, onde fazia malabarismo.
Sabia decór e salteado os detalhes da máquina e os programas instalados, pois leu no folder distribuído aos pedestres. Naquele computador, Juliano seria capaz de “trabalhar de olhos fechados”, como brincava com o amigo da banca de jornal. Chico, o amigo do peito, havia ensinado o básico sobre informática para Juliano. Na banca, em meio a jornais e revistas especializadas, ele aprendeu a ter gosto pela tecnologia.
Decidido do caminho que queria seguir, comunicou os pais durante o jantar, enquanto agradecia os alimentos à mesa.
Mais cedo do que de costume, Juliano estava em pé. A benção da mãe o iluminou para um novo dia de trabalho, com novos propósitos.
– Bom dia Chico. Quero um emprego em informática.
Chico botou-se a rir.
– Meu jovem, as coisas não são assim.
Juliano, com os pensamentos atropelados, explicou que a qualquer custo iria conseguir um emprego em informática. Só não sabia por onde começar.
Já que você quer tanto, a primeira coisa que você deve fazer é um currículo, simples, objetivo e bunito. Senta aí que vamos fazer agora.
Ao lado de Chico, Juliano passava as informações que o amigo pedia. Ao mesmo tempo, imaginava-se em uma grande empresa de informática, montando computadores, fazendo atualizações e instalando placas e chips.
– O seu currículo está pronto. Amanhã vamos fazer as cópias.
Foi com essas palavras que Chico despediu-se. Porém, com sorriso no rosto e pouca fé na sorte do rapaz, uma vez que Juliano teve muitas experiências profissionais. Até o momento, vivia de “bicos”, nada muito sério.
Juliano foi para casa de mãos vazias, mas com o coração cheio de esperanças. Na mente, a expectativa de encontrar o amigo na manhã seguinte com as cópias do currículo.
Em casa, Juliano deitou e lembrou-se da volta para casa, quando parou mais uma vez em frente à vitrine e disse em voz baixa:
– Eu ainda compro esse computador.
Os sonhos foram embalados com a expectativa de como seria distribuir currículos. Afinal, Juliano nunca fez isso.

Continua na próxima edição…
(Texto publicado na revista “Empregos e Empregados”, de Agosto de 2008. Acesse o Cap.2. Aqui)
fABIANO fACHINI